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todos juntos

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Rumos Educação, Cultura e Arte – Invenção e prática

Divulgação = Itaú Cultural apresenta encontro de educadores

Rumos Educação, Cultura e Arte – Invenção e Prática conta com debate, workshops e espetáculo

Rumos Educação, Cultura e Arte – Invenção e Prática

quarta 18 a segunda 23  de abril     O Itaú Cultural apresenta o encontro Rumos Educação, Cultura e Arte – Invenção e Prática,de 18 a 23 de abril. O evento irá reunir, pela primeira vez, os 14 profissionais selecionados na terceira edição do Programa Rumos Educação, Cultura e Arte. A programação conta com debate, workshops e espetáculo na sede do Itaú Cultural e as atividades se estendem ao Jardim São Luís, numa parceria com o programa Fábricas de Cultura, da Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo.

O encontro tem início no dia 18, em um debate com Ana Mae Barbosa e Renato Janine Ribeiro com mediação de Renata Bittencourt. Refletir sobre premissas e valores que podem fundamentar as práticas educativas baseadas em arte e cultura é o ponto de partida para o encontro. O evento terá transmissão ao vivo pelo site do Itaú Cultural.

Nos dias 19 e 20 haverá quatro workshops, ministrados por Mafoane Odara, Isabel Marques, Associação Cultural Kinoforum e Instituto Brincante. As inscrições para os workshops podem ser feitas a partir do dia 9 de abril. No dia 21, a Paracuru Cia. de Dança apresenta o espetáculo Luz, que revela anseios da modernidade  – o preconceito, a solidão, as relações interpessoais tempestuosas na adolescência e a paixão intensa e fugaz nos tempos do “fica”.

Nos dias 22 e 23, o Instituto Brincante realiza oficinas nas Fábricas de Cultura. No dia 22 é a vez das crianças do Jardim São Luís e seus familiares. Para encerrar, no dia 23 os educadores dessa unidade se juntam aos da Vila Nova Cachoeirinha e participam de uma ação de formação integrada.

Rumos Educação, Cultura e Arte – Invenção e Prática

quarta 18 de abril às 20h palestra Cultura e Arte –Território de Pensamento e Ação com Ana Mae Barbosa e Renato Janine Ribeiro mediação Renata Bittencourt

entrada franca – ingressos distribuídos com meia hora de antecedência

quinta 19 de abril das 9h às 13h workshop Ação Cultural –Mobilização e Autonomia com Mafoane Odara 40 vagas

das 14h30 às 18h30 workshop Educação e(m) Movimento com Isabel Marques 25 vagas

sexta 20 de abril das 9h às 13h workshop Audiovisual – Construção da Imagem em Movimento com Associação Cultural Kinoforum 25 vagas

das 14h30 às 18h30 workshop Percussão – Ritmos Brasileiros com Instituto Brincante 25 vagas [indicado para maiores de 18 anos]

Inscrições para os workshops a partir de 9 de abril pelo telefone 11 2168 1876, das 10h às 18h.

sábado 21 de abril às 20h espetáculo Luz com Paracuru Cia. de Dança [indicado para maiores de 14 anos]

entrada franca – ingressos distribuídos com meia hora de antecedência

Itaú Cultural | avenida paulista 149 – paraíso – são paulo sp [próximo à estação brigadeiro do metrô]

informações11 2168 1777 | youtube.com/itaucultural | twitter.com/itaucultural | facebook.com/itaucultural | atendimento@itaucultural.org.br

domingo 22 de abril das 13h30 às 15h e 15h30 às 17h [2 turmas] oficina Brincantinho – Música, danças e brincadeiras com Instituto Brincante

Fábrica de Cultura Jardim São Luís – Sala de Dança | avenida antônio ramos rosa 37 – jardim são luís – são paulo sp

Novos rumos

O fim de 2011 e começo de 2012 trouxe bons ventos e boas novas aos projetos do Coletivo SIM em parceria com Associação Cultural Vila Maria Zélia!

Ainda no final de 2011 recebemos a notícia de que nosso projeto havia sido premiado pelo programa RUMOS ITAÚ CULTURAL – Educação, cultura e arte. Ao longo de 2012 os projetos realizados em 2010 e 2011 serão revisitados e compartilhados junto aos outros 13 premiados pelo programa, numa série de ações de formação, encontros entre educadores e momentos de criação e reflexão promovidos pela instituição. Para conhecer mais acesse: http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2707&cd_materia=1793

Além disso, a Associação Cultural Vila Maria Zélia é proponente pela segunda vez de um projeto artístico e cultural para a Vila e seus moradores. Nos Muros da Vila… As Cores da Cidade foi contemplado pelo o VAI – Programa de Iniciativas Culturais – 2012.  O projeto  deste ano é voltado aos jovens e trabalha as linguagens do grafite e da fotografia.  Escrito e idealizado pela Associação da vila, o projeto será realizado de forma independente ao Coletivo SIM. O coletivo SIM parabeniza a Associação pela iniciativa, autonomia e deseja sucesso nesta nova empreitada! Para saber mais acesse: http://www.programavai.blogspot.com.br/

Por estes resultados nós, integrantes do Coletivo SIM, estamos certos de que nossas ações culturais na vila foram um sucesso e fecham um ciclo em que os moradores da vila são mais donos de seus desejos, autonomos para buscar respostas e meios de realizá-las, transformar a cidade enfim. Daqui em diante para saber mais sobre as criações na vila Maria Zélia acesse: http://www.vilamariazelia.org.br/

ENTRE OS PRÉDIOS E NÓS – videodança

Assista ao videodança produzido pelo Coletivo SIM e moradores da vila: http://youtu.be/trr-JMpAYpk

FICHA TÉCNICA

concepção: coletivo sim! e moradores da vila maria zélia

roteiro, edição e direção audiovisual: gabriela canale

direção musical e edição de trilha sonora: paulo afonso caldas

direção coreográfica e direção de trabalhos corporais: renata fernandes

intérpretes criadores (cena e música):

* crianças: aline cristina da silva jesus, bruno gabriel vieira da cruz, caio eduardo seguro, cristiano junior, daniel porto de souza, daniela nascimento de lemos, giovanna martins, maria júlia porto, milena d’agrella ribeiro, monic lenate, paulo matheus garcia leal, raphaela vieira, rodrigo césar de menezes,yngrid maranhão.

* senhoras: esmerada lupetti carvalho, ivete langhi siegriste, ivone cezar de mattos, josefa, milene de matos, josefina marlene r. lualte, luzia de moura, maria arlete v. gomes, maria gilda motta, maria tereza do santos beltrane, neuza martins gonçalves, rosaura a. nascimento, thereza marques carvalho, sueli madeira gomes.

* jovens adultos renata fernandes, paulo afonso caldas,thales alves e Marcos, pai da Aline.

CREDITO DAS IMAGENS paulo afonso, renata fernandes e thales alves

CONTOS DA VIDA PELOS CANTOS DA VILA – o livreto

memórias e impressões de uma experiência de criação coletiva entre gerações da vila Maria Zélia.

Clique no link a seguir para ter acesso ao conteúdo do livreto 2011.

Este livreto em formato impresso e seu conteúdo multimídia (em DVD) podem ser encontrados em mais de 60 bibliotecas públicas e pontos de leitura do sistema municipal de bibliotecas da cidade de São Paulo e também no acervo da A ssociação Cultural da Vila Maria Zélia.

Para ter acesso ao conteúdo do livreto produzido em 2010, relativo às experiências do ano passado, acesse http://nocolodoconto.wordpress.com/

ENTRE OS PRÉDIOS E NÓS – mostra final 2011

Contemplado pelo programa de Valorização de Iniciativas Culturais – VAI -, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, no ano de 2011, CONTOS DA VIDA PELOS QUATRO CANTOS DA VILA é um projeto de artes integradas (dança, artes visuais, fotografia, música, literatura) e de criação coletiva entre pessoas da terceira idade, jovens-adultos e crianças, realizado na Vila Maria Zélia, situada no bairro do Belém, zona leste da capital paulista, proposto pela Associação Cultural Vila Maria Zélia e pelo Coletivo SIM! como continuação de uma parceria iniciada em 2010 com o projeto NO COLO DO CONTO, NA COLA DA DANÇA.

A Vila, fundada há quase cem anos e, hoje, tombada pelos órgãos do CONPRESP e CONDEPHAAT, durante todo o tempo, foi o cenário para as ações do projeto, as quais visaram trabalhar junto aos moradores o sentido de pertencimento e afeto com a cidade, de manutenção do bem cultural e do patrimônio arquitetônico. Ao longo de 2010 e 2011, o espaço usado para os encontros foi o galpão do antigo boticário da Vila, à Rua Mario Costa, nº 13, atual sede da Associação Cultural.

Dentre as ações realizadas destacam-se as oficinas de criação junto a crianças e senhoras moradoras da Vila e arredores, com idade entre 6 e 70 e poucos anos. Visou-se o trabalho sobre o corpo e a memória buscando o repertório de histórias que os moradores traziam da própria vida e da Vila. A aproximação de tais histórias e a elaboração dos sentidos que estas poderiam ter para cada participante foi feita a partir de atividades de criação em dança, música, poesia, fotografia e vídeo, partindo do estudo de matérias básicas no processo de representação e simbolização – o corpo, a palavra e a imagem. Ao longo do processo, buscou-se, sobretudo, a integração dos moradores com o ambiente e a arquitetura da Vila tal qual ela se apresenta hoje, visando uma apropriação e uma ressignificação dos valores culturais passados e atuais do local.

No primeiro ciclo de oficinas, que chamamos multiartísticas, os participantes moradores da Vila puderam, junto ao Coletivo SIM!, refletir e trabalhar a relação existente entre as pessoas e a cidade, a arquitetura e os corpos, por meio de atividades que trabalharam o encontro entre indivíduos das mais variadas idades, histórias e desejos. Assim, os limites das artes não eram limites para nossa criação intergeracional. Nestes encontros, histórias recentes e memórias, danças e sons de hoje e de ontem, paredes e palavras gravadas no cenário da Vila foram matérias-primas das criações e resultaram poemas e músicas, além de uma videodança, que podem ser vistos no site www.coletivosim.wordpress.com, assim como no livreto CONTOS DA VIDA PELOS CANTOS DA VILA. A oficina de fotografia, orientada por Clécio Antão, ex-morador da vila, voltou o olhar dos moradores ao lugar onde habitam e este olhar estético levou ainda mais à construção de afetos com os seus espaços, suas pessoas, sua natureza, sua arquitetura. A oficina de canto coral, orientada por Paulo Afonso Caldas, que começou despretensiosa em quatro encontros, quase não teve fim: as senhoras e crianças da Vila adoraram cantar as músicas de suas vidas ao longo de três meses.

Ao redor das oficinas, outras ações aconteceram para alimentar o processo criativo que estava em andamento nos encontros. As visitas guiadas ao Teatro Municipal, recentemente restaurado, e ao Museu de Arte Sacra ajudaram os moradores a perceber o fio do tempo e a ação do homem no processo de construção e manutenção de um patrimônio arquitetônico e de um bem cultural. Aliado aos passeios, nas mostras de cinema também olhamos para a cidade e sua história. Em parceria com o E-cine – escritório de cinema da Secretaria de Cultura do Município de São Paulo – fizemos um ciclo de filmes sobre a história dos bairros da cidade. Ao fim das sessões, longas conversas se sucederam, e histórias sem fim desenrolaram as memórias dos moradores em suas relações com as cidades onde viveram, nasceram, por onde passaram, amaram, trabalharam, sofreram. A Vila Maria Zélia muitas vezes era o foco, pois é o berço de muitos participantes do projeto.

Ao final deste período de encontros, criações e trocas, o livreto CONTOS DA VIDA PELOS CANTOS DA VILA foi organizado e publicado contendo as reflexões de cada ação do projeto, além de material multimídia com as gravações musicais e visuais produzidas. Sem contar a mostra, intitulada ENTRE OS PRÉDIOS E NÓS, que foi concebida e fica em cartaz de 19 a 27 de novembro no galpão do boticário, lugar especial que, como já dito, foi base de nossos encontros ao longo do ano. Nesta mostra, as fotos, os vídeos e o canto coral interpretado ao vivo foram feitos pelos próprios moradores, com a mediação dos organizadores das oficinas. Nela, podemos reconhecer o rosto e ouvir a voz de cada um dos moradores da Vila Maria Zélia atualmente. É esta Maria Zélia o que desejamos compartilhar com o público nesta ocasião efêmera, a qual, esperamos, possa permanecer viva na vida daqueles que a testemunharam.

 

ENCONTRO DE CRIAÇÃO 2

Vídeo performance – encontro de criação 2

A artista Gabriela Canale sugeriu uma interação do Coletivo SIM! com seu projeto pessoal chamado SP Residência Artística (spresidenciartistica.wordpress.com) no qual investigou a escrita urbana de São Paulo e realizou uma série de intervenções e performances na cidade.

A proposta do encontro de criação foi realizar uma vídeo performance que fez parte do filme final da residência – São Paulo, Cidade Imaginada.
O processo foi assim desenvolvido:
- filmagem de uma performance
- projeção da filmagem sobre as pessoas do coletivo que criaram uma nova ação
- filmagem desta sobreposição da primeira filmagem sobre os corpos
O resultado é uma vídeo performance com a sobreposição de tempos e ações. Parte deste material foi editado e faz parde do curta-metragem São Paulo, Cidade Imaginada. Além do vídeo, produzimos também frames, como estes.

Encontro 9 – todos juntos – FINAL

Encontro final. Uma dor do fim. Um alívio do fim. A beleza do fim. Hoje decicimos somente reviver a última experiência do encontro passado. Decidimos refilmar o jogo de dança em frente à igreja, aprofundando-o. Deste material sairá nossa videodança final. Para isso cuidamos melhor da imagem e da qualidade do jogo, do movimento. Relembramos as regras do jogo. Jogamos um pouco de brincadeira para depois jogar a sério. Afinamos os instrumentos que Paulo nos trouxe. Afinamos corpos, ouvidos. Neste momento, aconteceu uma improvisação com os instrumentos regida pelo Paulo. Foi um bela improvisação que também será matéria da trilha sonora da videodança. As crianças e senhoras adoraram escutar cada entrada de instrumento no coletivo de sons. Cada participante tinha o seu instrumento, com timbres muito diferentes entre eles, e era bonito de ver a sonoridade composta instantaneamente na improvisação. Após esta excelente preparação para o jogo fomos ao cenário de nossa dança – a igreja.

Durante 20 minutos jogamos sem interrupção uma espécie de dança das cadeiras onde somente 3 pessoas cabiam. Formaram-se ao longo deste tempo os mais variados trios: 3 senhoras, 3 meninas, 3 meninos, 3 homens, 1 senhora+1 menina+1 mulher, 2 meninos+1homem, enfim. As variações eram belas e muitas delas falavam por si. O movimento comentava o encontro dos corpos. O som tocado ao fundo pelos participantes que não estavam em jogo na cena (os que estavam em cena trocavam constantemente de papel com os que tocavam os instrumentos) complentava o discurso da memória dos corpos e do lugar da vila, do lugar da igreja.

 

Após a experiência, assistimos o fruto do nosso trabalho. Pudemos ver nos olhos de cada participante o orgulho pela criação, o encantamento de si, do lugar, da memória. Bateram palmas no final da exibição de um rascunho da obra final que levará meses para ficar pronta. Tomamos um chá da tarde. Comemos sonhos. Enganamos a fome. Alimentamos a alma. Nos abraçamos mas não dissemos adeus. O que criamos hoje fica na memória, tem eternidade. Chegamos a um fim.

Encontro 8 – todos juntos

Encontro quase final. Senhoras e crianças juntas no boticário. Ao sairmos do último encontro nós refletimos o quanto o grupo de participantes da oficina mostrava a falta de referências dentro da arte e da história para dar limites, qualificar e valorizar as criações que estavam realizando junto ao Coletivo SIM ao longo das últimas semanas. Percebíamos que os participantes sentiam prazer em realizar as propostas de criação mas não se viam como criadores, talvez se vissem como alunos. Entendemos que para as senhoras essa era a referência cultural que traziam de suas histórias quando se encontravam numa relação de educação. E sim, elas estavam numa situação de educação mas também de criação. Desejávamos novos padrões na relação com o conhecimento. Um padrão necessário para que o estado de criação se instaurasse. Faltava uma certa consciência do ato de criar e do papel do criador em expressar dentro dos limites da história social e da arte.

Mostramos então um conjunto de vídeos de obras de artistas que julgamos pertinente nesse momento. Obras e discursos que se relacionavam com a obra que estamos criando juntos – uma videodança tendo como cenário, tema e matéria uma vila tombada. O que é arte? Onde está a poesia? Podemos falar sobre tudo na arte? Foram perguntas respondidas no discurso de Adélia Prado em entrevista cedida a uma rede de tv. Entenderam que todos podemos fazer arte. Este vídeo abriu espaço para os participantes assistirem e apreciarem ao trabalho do Kazuo Ohno, um vídeo de dança tendo a cidade como cenário. Apreciaram o corpo velho e vivo do artista japonês, viram a morte no discurso da dança, as sombras e o frio no azul da imagem, viram a mulher no seu vestido e na sua maquiagem. Entenderam que todos podemos dançar. Enfim mostramos a videodança realizada no fim do projeto passado – vermelhos demais – videodança que circulou este ano pelo festival Dança em Foco. Enxergaram-se no papel de criadores.

Prontos para criar fizemos a proposta de criação de hoje. O grupo escolheria um lugar da vila para realizar um jogo de dança que seria filmado. O grupo escolheu a igreja. Nos dirigimos ao lugar e explicamos as regras do jogo. Sentados num banco largo posto em frente à igreja iniciaríamos o jogo com uma pessoa sentada que realizaria gestos cotidianos marcados num tempo dado pela música tocada pelo grupo fora de cena. Entrariam no jogo mais duas pessoas com o fim de dançar em uníssono o movimento proposto pelo mestre. Quando nós pedíssemos entraria uma nova pessoa em jogo que levaria uma pessoa a sair de cena. As trocas de pessoas seriam sucessivas formando a cada entrada um trio diferente de pessoas. O jogo durou cerca de 15 minutos e ao fim, voltamos ao boticário e assistimos à produção. Foram muitas risadas, alguns silêncios, algumas perguntas ao longo da exibição. Uma pergunta implícita nas questões não feitas – mas que pudemos ler na face de cada um foi: Isso é dança? Como isso pode virar uma videodança? Como uma atividade tão divertida de ser realizada pode ser séria? Pode ser arte?

Tomamos um chá para acalmar a alma. Tomamos um fôlego para a sede do último encontro.

Encontro 7 – todos juntos

O encontro de hoje foi o mais autêntico encontro do processo. Foi a primeira vez que reunimos o grupo de senhoras e de crianças para uma proposta de criação coletiva. Não foi o mais romântico dos encontros, nada como as tensões, as contradições da realidade. Muitas crianças participantes das oficinas até então eram netos das senhoras que frequentavam o grupo. Imaginávamos que seria o encontro mais fácil e natural do mundo! Pois nada disso – as avós chamaram pelos netos, pelos amigos dos netos rua afora e nada deles mostrarem interesse em entram no galpão do boticário para partilharem este espaço. Bater figurinhas lá fora, hoje, parecia mais interessante. Enfim, desistimos de esperar pelos meninos todos e começamos com quem estava conosco – Muitas senhoras e algumas crianças. Tratando-se de um primeiro encontro iniciamos com uma atividade mais corporal e lúdica, acordando nossos corpos e aguçando sentidos. A atividade retomava um pouco da proposta realizada somente com as crianças no encontro passado – trabalhamos as memórias guardadas no corpo. Para isso massageamos nossa pele, afagamos nossa carne, percutimos nossos ossos, fazendo movimentar nossas memórias. Há um ditado chinês que diz que o que vivemos até os 7 anos fica guardado nos ossos. Um baque, uma tensão, sabemos, fica bem guardado nos nós de nossos músculos cansados. Uma queda, uma cirurgia, um banho de sol, fica bem marcado em nossas peles. E tudo isso em nossa alma. Dançamos então com partes do corpo que nos levavam pelo espaço do boticário e nos levavam a tempos atrás. Brincamos novamente, mas desta vez com as senhoras, da dança “da parte do corpo que se apaixona pela outra” a fim de despertar um sentido narrativo no espaço da dança. Ao finalizar esta dança coletiva sentamos todos juntos e falamos sobre memórias guardadas no corpo, no espaço, nas danças. Porém não contamos propriamente histórias. Brincamos de criar outro tipo de narrativa até porque as senhoras encontraram dificuldade em relacionar memórias à partes do corpo de forma objetiva. Para elas não havia memória no cotovelo, nem história para contar do pé. Assim fizemos uma ligação desta primeira atividade com um estudo proposto por Paulo nos últimos encontros. As senhoras e crianças nos trouxeram sons que simbolizassem coisas, palavras, histórias deste lugar da vila maria zélia. A proposta era a partir deste trabalho de memória que cada um trouxesse ao grupo um som que não existisse mais, ou que somente existisse na vila maria zélia. Ao emitir seu som a pessoa poderia se mover, dançar com ele ou falar sobre ele. Neste momento o grupo percebeu o quanto um som que lembramos pode ser uma memória do corpo, uma história do ouvido, do pé, da pele. Gravamos um amplo repertório de sons, escutamos belas histórias, entendemos que uma mesma referência sonora (por exemplo um trem) pode ser muito diferente quando executado por pessoas, vozes diferentes. Entre sons de trens, panelas, máquinas, sinos, pássaros, carros, vendedores variados – o leiteiro, o sapateiro, o doceiro, o vassoreiro –  falamos sobre timbre, identidade, criatividade, loucura. Quer dizer então que a forma como eu percebo a máquina de lavar funcionando pode virar música? Sim, respondia o músico Paulo. Quando eu escuto o trem passando parece que sinto emoções diferentes a cada vez que ele passa, como se ele sentisse de forma diferente cada vez que naquele lugar passa. Será que estou louca?, perguntava a senhora. Não, a senhora está sensível e criativa, respondia Paulo. Aí está a arte, sentir diferente coisas que parecem iguais. Sentir sutilezas no que já foi esquecido e engolido pelo cotidiano. Retomar, ressignificar, recriar a memória em arte. Isso é o que estamos fazendo.

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