Últimas

Encontro 5 – as senhoras

Iniciamos nosso terceiro encontro com as senhorinhas da Vila com aproximadamente 25 minutos de atraso, porque optamos por esperar o grupo ficar maior à medida que uma a uma ia chegando. A primeira vivência da tarde foi algo sutil, apenas para dispararmos uma breve conversa sobre a ideia central pensada para o encontro: a busca das coisas escondidas. Sugerindo que todas elas ficassem com os olhos fechados, Thales fez a leitura de um poema de sua autoria, denominado Espontânea mente, que traz em seus versos o anúncio de uma busca por algo desconhecido. Ora este algo ensaia um desvendar acerca de si, confundindo-se com passagens aparentemente banais do cotidiano: “o limiar entre o passo e o poço”, “o cheiro de pipoca”; ora se afasta do sensitivo e se mistura a aspectos extremamente vinculados à nossa razão, sobretudo ocidental: “socrática supremacia aristotélica”, também oferecendo prenúncios de um certo medo do eu lírico que está nesta busca, ou, pelo menos, identifica a existência de algo escondido, mesmo sem saber ao certo o que seja.

 

Este jogo de ir e vir do poema, talvez tanto por não oferecer um raciocínio linear quanto por conter termos não tão comuns à nossa fala cotidiana, como “pseudo vida” ou “anti-semiótico”, fez com que “nossas” senhorinhas em certos momentos, ao explanarem o que ficou do poema para cada uma, lançassem mão de pequenas críticas, do tipo “poderia ser mais curto” e “algumas palavras são complicadas de se entender”. Entretanto, ao mesmo tempo, lembravam de trechos do poema que mais se identificaram, todas elas tendo alguma relação com a memória, com passagens de suas vidas, principalmente da infância. Uma delas começou a relatar que, ao ouvir “menina atrás de paredes inteiras no bate-cara de esconde-esconde”, automaticamente se lembrou de quando brincava de esconde-esconde com seus amigos, e logo sentiu uma sensação de paz e alegria. Thales interagiu perguntando até que número se batia cara naquela época, ao que ela respondeu ser até o número 10. Thales trouxe sua lembrança de infância, relatando que com seus amigos o bate-cara ia até o número 50. Outra senhorinha comentou que percebeu o já citado receio que existe de alguém em encontrar algo escondido. A medida que elas falavam, denotavam uma certa insegurança e cautela, como alunas que precisavam dar conta daquilo que o professor queria que elas respondessem. Thales e Paulo, ao perceberem isso, foram deixando-as tranquilas quanto a isso, explicando que não se tratava de identificar coisas certas ou erradas, e sim de tornar evidente seus sentimentos ao ouvirem as palavras declamadas, que era justamente o que elas estavam fazendo. Na verdade, ficamos até bastante surpresos e satisfeitos com o grau de sensibilidade que elas estavam demonstrando ter. Thales foi, aos poucos, mediando um diálogo para que elas percebessem diferenças entre esta proposta de texto e outras existentes em nosso dia a dia, por exemplo notícia de jornal. Por ser um poema, existe a possibilidade de o entendermos de forma menos racional, muitas vezes deixando espaço para que ele nos pegue de surpresa numa ou noutra passagem, fazendo com que saiamos dele em pensamento por algum instante para voltarmos depois.

 

Quando foi percebido que tínhamos, enfim, destacado a questão da “busca ou percepção de algo escondido” como tema transversal do poema, passamos para a etapa seguinte. Thales, aproveitando a lembrança do esconde-esconde, sugeriu dois momentos, sendo um dentro do boticário e outro fora dele. Como introdução desta etapa, Thales explorou o artista Paulo como exemplo. Quando nos referimos a ele apenas pelo seu nome, é suficiente para dizermos quem ele é? A partir disso, fomos identificando o que poderia estar por trás (escondido) do nome Paulo: músico, adora boas guloseimas, pai do Fernão… O desafio de cada uma, agora, seria de procurar palavras que, de repente, estavam escondidas nas coisas ou espaços existentes no boticário. Para este primeiro momento, sugerimos que fosse um substantivo. Observamos que não seriam necessariamente palavras escritas em algo, e sim uma coisa, um nome que representasse o que estaria escondido, tal qual “música” ou “guloseimas” ou “Fernão” estão escondidas no Paulo. Thales foi até o canto da sala e começou a bater-cara, retomando a lembrança da brincadeira de esconde-esconde trazida por uma delas. Quando chegasse ao número 50, todas deveriam estar de volta aos seus lugares, com a palavra, antes escondida e agora achada, memorizada.

 

Sugerimos então que guardassem na memória tais palavras para darmos continuidade. O segundo momento consistiu em ser o mesmo desafio anterior, porém, agora, com dois detalhes diferentes: a procura seria por palavras escondidas em espaços da Vila e a palavra seria um verbo. Nossa escolha de alternar entre substantivo e verbo se deu como um modo de investigar se as palavras poderiam se relacionar com maior fluidez no momento seguinte, de composição textual coletiva, ao termos uma combinação de nomes e ações, e, desse modo, permitir uma maior riqueza poética. Tal cuidado foi inspirado na última composição coletiva que fizemos com elas, na semana anterior, na qual tivemos um processo muito bom, porém extenso, de composição, trabalhando apenas com substantivos. Enquanto caminhavam pela Vila à procura das palavras escondidas, Paulo registrava algumas fotos desse momento. Quando todas se reuniram, em poucos minutos, na porta do boticário, entramos para iniciarmos a próxima etapa.

 

Com todas novamente sentadas,

 

- Relatos do processo para se achar as palavras escondidas (narrativas de passagens de vida/memórias interessantíssimas por parte das senhorinhas – por trás das palavras escondidas, existem histórias/memórias maravilhosas escondidas – Paulo gravou alguns relatos disso!!!)

 

- Construção de produção textual com os substantivos e verbos “achados”

 

- Produto textual: criação de uma poesia, tal qual Gábi e Thales estão experimentando, com o texto, na qual teríamos nova (ou novas) palavra escondida que, com a nossa procura, acharíamos dentro do próprio texto (mostra do experimento poético feito pelo Thales com o poema produzido no encontro anterior, como exemplo e/ou inspiração para novas possibilidades)

 

- Tentativa do Paulo de retomar a “pesquisa” dos sons que não existem mais na Vila. Não deu por falta de tempo. Mas houve um levantamento rápido com elas desses sons, que foram listados pelo Paulo, seguido de exploração com cada uma delas de como marcam a tonicidade de algumas palavras, marcação esta sendo representada por um bater de palma durante a fala da palavra.

 

- Mostrar a gravação da música das crianças no final do encontro trouxe uma sensação diferente nas senhorinhas. Elas perceberam que havia ali algo mais descontraído e rítmico. Paulo e Thales avaliaram que este seria um recurso importante para ter sido explorado antes da criação do novo texto com as palavras achadas, e não no final do encontro, pois poderia ter sugerido mais naturalmente novas possibilidades de se trabalhar com as palavras, sem a necessidade de uma mediação tão intensa nossa!!!

Artistas mediadores: Paulo Afonso Caldas e Thales Alves

Encontro 4 – as crianças

As crianças e as narrativas

Encontro 3 – as senhoras

Nosso segundo encontro com as senhorinhas da Vila foi previsto e vivenciado em três momentos. Porém, antes, tivemos um espaço de “boas-vindas” com slides de fotos delas em atividade na semana anterior, enquanto chegavam, e, com o grupo já formado, apresentação dos artistas Paulo Afonso e Thales Alves que, com Gabriela Canale, mediariam este encontro.

No primeiro momento a proposta, apresentada pelo Thales, foi de aguçarmos os sentidos. Por meio do olfato, do tato e da audição, convidados por folhas secas de árvores, folhas de manjericão, lavanda, cravo, pecinhas plásticas de artesanato, sons da natureza (chuva e pássaros) e sons improvisados no próprio ambiente, como batidas na porta, sugerimos que elas, com os olhos vendados, introspectiva e espontaneamente, fossem curtindo lembranças, sentimentos, sensações para, num depois, cada uma representar tudo em apenas uma palavra por escrito num pedaço de papel e, em seguida, fixar esta palavra, de modo a ficar visível a todos, na parte do corpo que, para elas, mais representava esta palavra. Surgiram palavras como “lembranças”, “infância”, “calma” e “relaxamento”. Fizemos, ainda, uma rodada na qual cada uma expressou o processo que levou à representação pela palavra.

Passamos, então, para o segundo momento. Para retomar o encontro anterior, Gábi apresentou os produtos artísticos criados por elas junto com os que foram criados no último sábado pelas crianças, inclusive os vídeos feitos a partir das performances. Enquanto também mostrava cada foto, Gábi foi chamando a atenção para alguns detalhes interessantes: como as crianças acompanhavam com o corpo as linhas do espaço escolhido, as diferenças entre o colorido e o preto e branco etc. Elas ficaram positivamente surpresas com o resultado, sobretudo com a última foto, criada pela Gábi, que sugere uma sobreposição das fotografias das senhorinhas e das crianças num mesmo espaço. Lançamos, enfim, nossa proposta de performance para o dia. Projetamos a fotografia com sobreposição entre as senhorinhas e as crianças numa das portas da sala e sugerimos que cada uma delas fizesse sua entrada, interagindo com a foto, buscando representar com o corpo a palavra que havia escrito no papel. De uma a uma elas foram entrando no enquadramento da imagem capturada e deixando a projeção da foto ficar sobre o corpo. Quando todas já estavam no espaço, fomos alternando as imagens projetadas até, finalmente, termos a saída uma a uma do espaço.

Enfim, partimos para o terceiro e último momento. Digitamos e projetamos as palavras na parede e sugerimos, a priori, a composição de quatro versos, partindo ou não das palavras, a fim de formarmos um pequeno poema. Entre ajustes de concordância e de ordem das palavras e dos versos, tivemos este resultado:

 

Por que foges de mim

O perfume das flores

O brilho do sol

O barulho da mata nativa?

 

Lembro da minha infância

Através dos aromas

 

Passamos para uma etapa de construção coletiva, na qual o grupo, verso a verso, foi compondo uma melodia para o poema. Paulo foi mediando as entradas e sugestões das senhorinhas para potencializar a apropriação de todas quanto às propostas individuais cantaroladas.

Antes de nos despedirmos, Paulo anunciou uma investigação que cada uma delas terá de fazer para ser apresentada na próxima semana: coletar sons que existiam na Vila e que hoje não existem mais.

Horas depois do encontro, Thales recompôs o poema, sugerindo novas possibilidades dentro do mesmo texto:

 

Por que foges de mim

O (p)erfume d(as) flore(s)

O brilho do sol

O barulho da mata n(a)tiva?

 Lembro (d)a minha infância

Atraves dos ar(o)mas

Houve uma composição musical entre os três artistas mediadores, momentos após o encontro, como uma releitura do que acabamos de vivenciar. Embalando uma interessante relação entre passado e presente, a partir de uma sutil reflexão entre os três sobre sensações de circular pela metrópole paulistana, unimos as frases “Barulho do trem” e ”Barulho do metrô” e formamos uma estrofe musical, cantadas respectivamente por Gábi e Thales, na qual sugerimos uma aliteração intercalada dos versos. Ao mesmo tempo em que eles representam a sequência repetida de sons dos referidos transportes, formam a melodia da canção. Intercalando-se com os versos, Paulo trabalha a melodia de “O trenzinho do caipira”, de Heitor Villa-Lobos.

Como crianças e senhoras da terceira idade reagem ao mesmo espaço?


Criamos um vídeo para imaginar como seria uma performance de crianças e senhoras. Este vídeo ainda é inédito para todos, será uma surpresa para as senhoras descobrir que as crianças criaram uma performance similar a delas e vice-versa. No próximo encontro vamos aprofundar esta questão.

Encontro 2 – as crianças

Este encontro seguiu basicamente o mesmo processo do que o encontro com as senhoras.
Dançamos, percebemos o espaço, sincronizamos nossos movimentos.
Depois vimos fotografias da Francesca Woodman. Percebemos as diferentes formas de se mostrar e se esconder em um espaço e em uma fotografia. Em seguida vimos fotos antigas da Vila Maria Zélia e conversamos sobre patrimônio histórico, tombamento, o tempo, etc.

Escolhemos lugares que gostaríamos de fotografar na Vila e realizamos performances no espaço da Vila seguindo as regras de desaparecer no lugar e entrar no enquadramento um de cada vez.

Voltamos para a Associação. Nos concentramos, ficamos um pouco ouvindo o silêncio de olhos fechados. Vimos as imagens e escrevemos uma palavra sobre o encontro.

Encontro 1 – as senhoras

Nesta quarta-feira, dia 6 de julho, realizamos o primeiro encontro com as senhoras na Associação da Vila Maria Zélia.
O encontro foi ministrado por Renata e Gabriela.
Começamos com Renata Fernandes conduzindo uma proposta de reconhecimento do espaço e de sincronicidade entre todas.
Em seguida fizemos uma dança circular de chegada no espaço, uma dança ancestral sobre o tempo e as relações.
Depois vimos fotografias da Francesca Woodman.
A fotógrafa nos interessou porque tem uma delicadeza entre fundo e personagem, entre arquitetura e movimento do corpo. A relação com o espaço, o corpo feminino que se esconde no ambiente abriu a percepção para as imagens. Percebemos detalhes como cor, figurino, movimento, intenção etc. Vimos também uma fotografia de Jaime Scatena que faz uma releitura de Francesca. Percebemos então a ideia de atualização de imagem e de como o corpo de cada um se relaciona com o movimento da foto.
Em seguida vimos imagens da Vila Maria Zélia há mais de 40 anos. As senhoras reconheceram e relataram algumas experiências pessoais sobre os espaços. Então elas escolheram um lugar da Vila em que desejavam fotografar: a escola, onde muitas delas estudaram e que hoje é um prédio tombado sem uso cotidiano.
Então sugerimos um jogo para realizar a foto no espaço. A ideia foi retomar a relação entre corpo e arquitetura que as fotografias da Francesca nos sugeriram. Estabelecemos duas regras:
REGRA 1
Escolher um espaço que quer ocupar, aquele que se sente bem, que se sente confortável, em que cada um se sinta quase invisível. A ideia da invisibilidade é um sugestão importante.
REGRA 2
Então as pessoas devem entrar uma de cada vez, respeitando o fluxo de todos.
 A foto será feita quando todos estiverem no espaço.
Voltamos para o boticário. E tivemos um momento final de quietude, de solidão, de digestão.
Sentamos e ficamos 1 minuto de olhos fechados, em silêncio, ouvindo sons de folhas e mais um minuto em que ouvimos o texto do Calvino sobre cidades invisíveis.
Abrimos os olhos. Aí vimos as imagens que fizemos e selecionamos as duas que mais gostamos.
Foi um prazer ver as imagens. Não houve unanimidade sobre a questão da cor e do desaparecimento. Algumas acharam que a foto colorida faria as pessoas “desaparecerem” mais, então me comprometi a fazer duas versões das imagens:
Finalizamos quando cada uma recebeu um papel e escreveu uma palavra que tivesse relação com as experiências do dia. Palavras vão morar na nossa gaveta  palavras.

ENCONTRO DE CRIAÇÃO 1

 

No dia 3 de julho, um domingo bastante frio, os artistas do coletivo se reuniram para um Encontro de Criação. A proposta foi mobilizar sentidos em experiências artísticas. Cada um dos integrantes do coletivo fez uma proposta que foi realizada por todos.

A partir das experiências foram pensadas as atividades que serão desenvolvidas com crianças e senhoras em 7 encontros realizados no mês de julho e agosto na Associação Cultural da Vila Maria Zélia com patrocínio do Programa Vai da secretaria de Cultura de São Paulo.

Renata Fernandes conduziu uma dança de chegada no espaço, uma dança ancestral sobre o tempo e as relações.
Depois Gabriela Canale propos a busca pelas palavras naquele espaço em um caminho que reuniu as palavras que cada um trazia no corpo, as palavras do prédio tombado onde ocorreu o evento e as palavras do espaço externo. As 12 palavras selecionadas pelos artistas foram trabalhadas, até se tornarem um poema. O poema foi projeto na parede. O produto final foi uma performance sobre a projeção do poema.

Renata conduziu então uma série de dinâmicas em que os artistas desenvolveram gestos, ritmos, frequências buscando uma dança conjunta realizada no espaço público da Vila Maria Zélia.

Finalizamos a atividade vendo imagens antidas da Vila e ouvindo um texto de As Cidades Invisíveis, do Ítalo Calvino em que há uma reflexão sobre habitar o hoje, habitar a cidade que foi e a cidade que é.

Thales Alves usou os sentidos para sugerir que todos buscassem memórias. Vendados, os artistas experimentaram cheiros, o tato, os sons e relacionaram com memórias individuais. As memórias despertaram uma discussão sobre o tempo presente, sobre a idealização do passado, sobre a relação do hoje com o que foi.

Finalizamos o Encontro de Criação compondo uma música. O processo de composição conduzido por Paulo Afonso se baseou em frases aleatórias que reunimos. Em seguida propusemos cantarolar as frases. Depois adicionamos instrumentos musicais.

Letra quase non sense da nossa composição:
“Casa de ver
Ninguém mais quer ser pagé
Escolhia feijão com minha vó.
Guardava na gaveta da cozinha.”

Vermelhos demais em experiências de videodança

videodança
reunindo objetos vermelhos
reunindo objetos vermelhos
reunindo mais objetos vermelhos
reunindo mais objetos vermelhos
fazendo leitura de "sapatinhos vermelhos"
fazendo leitura de “sapatinhos vermelhos”
sapatos vermelhos - produção de experiência em vídeodança
sapatos vermelhos – produção de experiência em vídeodança
foto da projeção da vídeodança
foto da projeção da vídeodança

foto da projeção da experiência em vídeodança

PESQUISA da linha e da limitação

ativiade de 12 de setembro

atividade de 12 de setembro

linha e  sapatos

linha e sapatos

 

sapato amarrado a fiação elétrica por linha

sapato amarrado a fiação elétrica por linha

atividades desenvolvidas em 12 de setembro de 2009.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.