PROJETO 2011 – memória e cidade
ENCONTRO DE CRIAÇÃO #1
No dia 3 de julho, um domingo bastante frio, os artistas do coletivo se reuniram para um Encontro de Criação. A proposta foi mobilizar sentidos em experiências artísticas. Cada um dos integrantes do coletivo fez uma proposta que foi realizada por todos.
A partir das experiências foram pensadas as atividades que serão desenvolvidas com crianças e senhoras em 7 encontros realizados no mês de julho e agosto na Associação Cultural da Vila Maria Zélia com patrocínio do Programa Vai da secretaria de Cultura de São Paulo.
Renata Fernandes conduziu uma dança de chegada no espaço, uma dança ancestral sobre o tempo e as relações.
Depois Gabriela Canale propos a busca pelas palavras naquele espaço em um caminho que reuniu as palavras que cada um trazia no corpo, as palavras do prédio tombado onde ocorreu o evento e as palavras do espaço externo. As 12 palavras selecionadas pelos artistas foram trabalhadas, até se tornarem um poema. O poema foi projeto na parede. O produto final foi uma performance sobre a projeção do poema.
Renata conduziu então uma série de dinâmicas em que os artistas desenvolveram gestos, ritmos, frequências buscando uma dança conjunta realizada no espaço público da Vila Maria Zélia.
Finalizamos a atividade vendo imagens antidas da Vila e ouvindo um texto de As Cidades Invisíveis, do Ítalo Calvino em que há uma reflexão sobre habitar o hoje, habitar a cidade que foi e a cidade que é.
Thales Alves usou os sentidos para sugerir que todos buscassem memórias. Vendados, os artistas experimentaram cheiros, o tato, os sons e relacionaram com memórias individuais. As memórias despertaram uma discussão sobre o tempo presente, sobre a idealização do passado, sobre a relação do hoje com o que foi.
Finalizamos o Encontro de Criação compondo uma música. O processo de composição se baseou em frases aleatórias que reunimos. Em seguida propusemos cantarolar as frases. Depois adicionamos instrumentos musicais.
Letra quase non sense da nossa composição:
“Casa de ver
Ninguém mais quer ser pagé
Escolhia feijão com minha vó.
Guardava na gaveta de madeira.”