PROJETO 2010 – videodanças

O Coletivo SIM! desenvolve o projeto “No Colo do Conto, Na Cola da Dança” uma parceria entre aritstas adultos e crianças na Zona Leste, de São Paulo. Este projeto nasceu em janeiro de 2010 quando a então moradora da vila e artista educadora Renata decide propor um conjunto de ações culturais voltada a educação dos afetos, da memória e da relação com a cidade com e para as crianças da Vila Maria Zélia.  O projeto tem seu início em reuniões junto a diretoria da Associação Cultural Vila Maria Zélia para definição de ações ao longo do ano dentro do projeto. Foram muitos encontros entre o coletivo e a Associação até que definimos propostas e iniciamos estudos entre os artistas do coletivo na vila e, enfim, as ações culturais.

Dentre as ações realizadas destacam-se as oficinas de criação junto às crianças e jovens moradores da Vila e arredores com idade entre 6 e 15 anos. Visou-se o trabalho sobre narrativas de histórias tradicionais e ancestrais buscando o repertório de histórias que as crianças traziam da própria vida e da vila onde moram. A aproximação de tais histórias e a elaboração dos sentidos que estas poderiam ter para cada participante foi feito a partir de atividades de criação em dança, música e vídeo, partindo do estudo de duas matérias básicas no processo de representação e simbolização – o corpo e a imagem. Também buscou-se a integração das crianças com o ambiente a e arquitetura da Vila visando uma apropriação e ressignificação dos valores culturais do local ao longo do processo. Os encontros de criação ocorreram no período de julho a outubro deste ano. Ao final deste período, uma mostra foi concebida e montada, ganhando a forma de uma videoinstalação, escolhida como finalização do processo de criação coletiva entre os artistas e as crianças artistas. Ao redor das oficinas muitas outras ações aconteceram para alimentar o processo criativo que estava em andamento nos encontros.

Em parceria com coletivos e acervos de cinema e vídeo (como o Acervo mariposa e Perifacine) trouxemos para a Vila importantes mostras sobre assuntos pertinentes para o trabalho desenvolvido nas oficinas. Realizamos as mostras de Cinema com Pipoca ocorrida em julho trabalhando a questão da narrativa, o Festival Internacional de Curtas-metragens  de São Paulo (em agosto), o ENTRETODOS: Festival de curtas-metragens de direitos humanos (em setembro) ambos lidos dentro das questões relacionadas ao fazer do vídeo (captação, roteiro, edição etc.) e por fim a Mostra de videodança (novembro) que ocorreu paralela à videoinstalação, contextualizando a produção contemporânea deste formato de arte.  As mostras realizadas no espaço da associação e também ao ar livre trouxeram público para as oficinas, divulgaram as ações da Associação Cultural Vila Maria Zélia, as práticas do coletivo SIM junto às crianças, aproximando os moradores das atividades culturais que ocorriam na comunidade; além de democratizar acesso a filmes alternativos que ampliam o repertório do público.

A videoinstalação intitulada Vermelhos Demais, montada pelo coletivo e pelas crianças no galpão da memória -  antigo boticário da vila – de 20 a 28 de novembro, compartilhou o processo criativo deste grupo com cada morador e com público interessado em ações culturais e arte para e com crianças.

 Cada ação do projeto foi documentada e comentada no blog – http://nocolodoconto.wordpress.com/ que funcionou ao longo do ano como um diário de bordo dos orientadores e do qual muitos materiais saíram para compor o presente livreto publicado ao fim do projeto contendo material multimídia sobre a experiência da criação coletiva. Neste livreto, distribuído em mais de 70 pontos culturais e de leitura da cidade, o leitor encontrará descrições e reflexões sobre o nosso processo criativo.

Em 2010 o projeto previa e realizou o atendimento ao público infanto-juvenil. Previa-se a realização de oficinas com crianças de 7 a 12 anos (faixa proposta pelo edital do VAI). Em primeira reunião com coordenação do programa a proponente do projeto esclarece que esta faixa etária seria referência, mas poderia sofrer pequenas alterações para maior/ menor idade. Também esclarece-se que um número ideal de crianças nas oficinas seria entre 20 e 30 participantes. Na realização do projeto tivemos a sorte de contar com Bruno Vieira, Caio Seguro, Cristiano Jr., Daniela Nascimento, Érica Costa, Gabriel Vinícius, Giovanni Odoni Soares, Giulia Freire, Larissa Acelina, Milena D’Agrella Ribeiro, Monic Lenate, Paulo Matheus, Raphael Silva, Raphaela Vieira, Renan Beltrame, Vanessa Muniz, Vinícius Freire, Walter Miranda, Yasmin Seguro e Yngrid Seguro – 20 participantes muito interessados e equilibrados em gênero (10 meninas e 10 meninos), raro em situações de arte e educação quando os meninos não costumam estar presentes.

 Com relação ao uso do espaço foram muitos os aspectos facilitadores: o galpão e as ruas utilizadas ao longo do processo criativo encontram-se dentro da vila onde a maioria das crianças mora o que fez com que a presença das crianças fosse maior do que se este espaço fosse fora da vila ao passo que por esse fato centralizou-se um público morador da vila (dificultando o acesso de moradores dos arredores – somente quatro participantes eram de fora da vila). Tivemos muito apoio dos membros da Associação Cultural da Vila Maria Zélia que em todas as ações se mostraram colaboradores: nas oficinas, nos cinemas, na montagem da mostra etc.

O cinema entrou no nosso projeto desde nossas ações com a divulgação. No primeiro mês de ação decidimos que a melhor forma de divulgar seria propondo atividades de grande apelo ao público de nosso interesse – e o mais importante – contato direto. Cinema com pipoca! Estava feita a proposta. Realizamos ao longo do mês de julho sessões semanais de cinema com pipoca para as crianças. Na programação, animações, Chaplin e musicais. Muitas das crianças viraram participantes de nossas oficinas, mas nem todas. Percebemos nesta ação que para as atividades dos encontros de criação havia um perfil específico de criança. Talvez uma criança que gostasse de cinema compartilharia esse gosto com um futebol, por exemplo, mas não com a exposição do estar em cena. Ficamos mais tranquilos quando entendemos que este perfil seria uma seleção automática de participantes.

Um mês depois, em parceria com Perifacine, o Coletivo SIM! levou o Festival Internacional de Curtas – Metragens de São Paulo à Vila Maria Zélia. As exibições ocorreram nos dias 23, 24 e 28 de agosto e para cada dia preparamos uma programação especial. No primeiro dia priorizamos a mostra infanto-juvenil e no seguinte, para nosso público da terceira idade, selecionamos filmes relacionados à temática do envelhecer, da relação intergeracional e familiar com curtas da mostra Brasil. Já no último dia do festival na vila, fomos presenteados por uma noite linda, pipocas servidas no carrinho muito convidativo do festival e um público de mais de 30 pessoas, em sua maioria crianças, e assim exibimos na praça programação especial da mostra infantil com ótimos curtas brasileiros e internacionais.

Em setembro, ainda em parceria com o Perifacine, o Coletivo SIM! junto à Associação Cultural da Vila Maria Zélia, preparou um cineminha gostoso no Galpão que chamamos Armazém da Memória – onde a instalação ocuparia meses depois. Numa noite bastante fria tivemos um bravo e forte público de pequenos que ficaram até o final da exibição da programação da mostra infantil do Festival Entretodos – Festival de curtas de Direitos Humanos. Todos gostaram mais uma vez da experiência de ver os “filmes curtos” como eles mesmos dizem. Percebemos o quanto cada dia mais eles se reconheciam como criadores em potencial de filmes como os que eles assistiam – como os feitos com técnicas de stop motion, a partir de objetos, recortes em papel etc. Foi muito bom vê-los mais presentes neste estado de fruição!

Por fim, a última ação do projeto com o cinema foi voltada à linguagem que trabalhamos nos encontros de criação – videodança. Em parceria com o Acervo Mariposa (e dos artistas autores dos vídeos), especializado neste tipo de produção, fizemos uma programação composta por produção estritamente nacional e de artistas jovens. Queríamos aproximar mais uma vez o fazer artístico destes pequenos que muito em breve podem se tornar os próximos fazedores de arte. A programação foi composta por videodanças da Balangandança Cia, do coletivo Quadra, pessoas e ideias e dos artistas Rita Cavassana e Danilo Dilettoso, Andrea Mendonza e Ilana Elkins e Júlio Martins e Patrícia Siqueira. E claro, a videodança Vermelhos Demais realizada com as crianças também foi apresentada na ocasião e foi um sucesso!

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